Boyhood sob o olhar da psicologia

segunda-feira, 25 de maio de 2015 | 20:06 | Por Comente!
Boyhood poderia chamar-se "A vida como ela é", pois a trama acompanha o desenvolvimento de Mason, da infância à juventude, retratando mudanças cíclicas que ocorrem na família durante o período. Como tantos outros, Mason é filho de pais divorciados, ele enfrenta as mudanças do entorno e as que ocorrem com ele próprio. Assim, ser e ambiente se influenciam mutuamente, e, transformam-se ao longo desse período, simples assim, exatamente como a vida é.

Sinopse
As alegrias e as armadilhas de crescer são vistos através dos olhos de uma criança chamada Mason (Ellar Coltrane), seus pais e sua irmã (Lorelei Linklater). Vinhetas, filmadas com o mesmo elenco ao longo de 12 anos, capturar as refeições em família, viagens por estrada, festas de aniversário , Formaturas e outros marcos importantes. O filme conta a história de um casal de pais divorciados (Ethan Hawke e Patricia Arquette) que tenta criar seu filho Mason. A narrativa percorre a vida do menino durante um período de doze anos, da infância à juventude, e analisa sua relação com os pais conforme ele vai amadurecendo.

Boyhood aborda relações familiares, afetivas e sociais, desenvolvimento, ciclos familiares, bullying, alcoolismo, violência doméstica, dentre outros temas.

Não é difícil para o espectador se identificar com alguma passagem do filme. A trama inicia quando o menino tem 6 anos e os pais já estão separados. Fruto de pais imaturos, ele e a irmã vivem as turras, sem que o amor deixe de existir. A mãe, por sua vez, tenta administrar seu lugar de mãe e de mulher, pois sem o suporte do ex-marido, torna-se a única responsável pela administração do lar. Difícil dar conta de cuidar dos filhos e buscar relacionamentos saudáveis.

Quem estuda terapia familiar poderá identificar algumas mudanças no ciclo da vida familiar. Na busca pela construção de uma “família”, a mãe perde a capacidade de perceber relacionamentos saudáveis. Mason sinaliza a questão para mãe, na cena em que ela afirma que está buscando uma família para eles, e, ele responde que eles já são uma família. Esse ideal de família nuclear que ela persegue resulta no envolvimento disfuncional, pois o novo marido é alcoólatra. O pai, por sua vez, retrata a imaturidade de muitos, que não assumem completamente a paternidade. Esporadicamente, ele passa algumas tardes com os filhos, tentando cobrar um diálogo coerente, apesar da distância.

Pais e filhos vão amadurecendo diante de nossos olhos, enfrentando mudanças, eventos stressores, crises previsíveis ou não. Mason, por outro lado, enfrenta as crises do próprio desenvolvimento, em paralelo com as mudanças físicas e psicológicas do seu meio. Encontros e desencontros, tóxicos ou nutritivos, perdas e ganhos, amizades, amores, frustrações da infância, da adolescência, da vida adulta, erros e acertos durante um período de vida familiar.

Aproximações e afastamentos nas relações afetivas, familiares e sociais, intimidade e estranhamento, decisões e indecisões... assim segue o filme, que encanta por sua verdade, revelando as imperfeições que nos tornam humanos, apenas humanos. Vale a pena conferir!

Trailer

Referência: Psicologia & Cinema
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